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12 de Novembro de 2009
Equipamento da Asus  poderá ser apresentado em janeiro diz Jerry Shen presidente da Asus Computer
fonte: Valor Econômico (12.11.2009)
André Borges



A disputa dos fabricantes de PCs para informatizar a rede de ensino do país deve ganhar mais um integrante. A Asus, de Taiwan, trabalha na criação de um laptop de configuração simplificada, desenhado para apoiar atividades de ensino.

Não há uma data prevista para o lançamento do portátil, mas é possível que o equipamento venha a ser apresentado em janeiro.

A informação foi confirmada pelo presidente e executivo-chefe da Asus Computer, Jerry Shen, que nesta semana fez a sua primeira visita ao Brasil. Em entrevista ao Valor, Jerry afirmou que o assunto foi um dos temas de um encontro realizado com Michel Levy, presidente da Microsoft no Brasil, e Oscar Clarke, presidente da Intel no país.

Na semana passada, foi a vez de o fundador e executivo-chefe da Dell, Michael Dell, vir ao Brasil para apresentar a ofensiva da companhia com projetos para a área da educação. Mais que oferta de um equipamento voltado a sala de aula, o que companhias como a Asus têm perseguido é a criação de um produto simples e barato, capaz de atingir o grande varejo. Recentemente, a Asus mostrou que é capaz de surpreender. Jerry Shen é o executivo por trás da criação do EeePC, um laptop de tamanho reduzido lançado em novembro de 2007.

Em poucos meses, EeePC virou moda em todo o mundo e detonou a corrida dos fabricantes para oferecer o mesmo tipo de produto, o que criou uma nova categoria de máquinas - os netbooks. Para a Asus, que sempre teve a maior parte de seu faturamento atrelado à venda de componentes como placas-mãe, o mercado de portáteis passou a responder por 53% do faturamento global em apenas um ano.

A fabricante atingiu uma receita de US$ 8,1 bilhões no ano passado e vendeu 10,1 milhões de máquinas, mais que o dobro do ano anterior, quando contabilizou 4,6 milhões de unidades vendidas. O mercado brasileiro de PCs, diz Shen, será em breve o terceiro maior mercado da companhia em todo o mundo. "Com o ritmo das vendas, o mercado brasileiro só ficará atrás dos Estados Unidos e da China", comenta. "Por isso estamos prestes a concluir um plano de negócios para expandir as operações no país."

Nesta semana, Jerry Shen se encontrou com representantes de empresas especializadas em produção terceirizada de equipamentos, como Flextronics, Foxconn, Jabil e Quanta, entre outras. A escolha do novo parceiro de produção no país está prevista para os próximos dias.

Em janeiro, a Asus deu início à montagem local de seus equipamentos, por meio de uma parceria firmada com a Visum, empresa de Curitiba especializada na montagem de placas e eletrônicos. Shen não dá detalhes sobre o investimento previsto para as operações no país. Hoje, a Asus tem 50 funcionários diretos no Brasil.

A projeção é de elevar o quadro para 150 pessoas no ano que vem. O desempenho do mercado de netbooks no país explica o interesse dos taiwaneses. Em 2008, segundo dados da empresa de pesquisas IDC, foram comprados 125 mil equipamentos desse tipo no Brasil, o equivalente a 3,9% do total de portáteis adquiridos no país. De janeiro a setembro deste ano, o volume chegou a quase 300 mil máquinas, ou 11,2% do total de laptops. "Se comparados os nove meses deste ano com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 260%", comenta Luciano Crippa, analista de mercado da IDC. "Fora isso, o mercado brasileiro, ainda tem muito para crescer. No mundo, os netbooks já respondem por 20% da venda total de portáteis."

A Asus não divulga o volume de vendas no país, mas segundo John Chen, gerente geral da Asus no Brasil, a expectativa é de que a subsidiária detenha pelo menos um terço do mercado de netbooks. O resultado passa pela queda de preço dos equipamentos e pelo aumento de parcerias com redes de varejo. Atualmente, os portáteis da Asus estão nas prateleiras e sites do Ponto Frio, Walmart, Fnac, Submarino e Americanas. O valor de entrada de um netbook, que até poucos meses atrás era de R$ 1,5 mil, caiu para 1,2 mil.

Na esteira de lançamentos de produtos previstos para o Brasil estão inclusos até equipamentos como um celular inteligente, hoje disponível apenas no Leste Europeu. "Vamos dar um passo de cada vez", comenta Jerry Shen. "O que posso dizer é que nosso compromisso com o país é de longo prazo. Com certeza traremos esse equipamento para cá."
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